segunda-feira, 22 de junho de 2009

O passarinho azul


"Era uma vez um passarinho azul que havia machucado a asa e não conseguia sair do chão.
Com muita dificuldade tentava comer migalhas e beber gotas de orvalho antes do calor se alastrar e secar a pouca água que havia. Sua vida estava bem miserável, com condições precárias de sobrevivência e o medo era constante por conta de sua vulnerabilidade diante dos outros animais. Bem fragilizado, foi surpreendido por um gato faminto e sem mais forças para lutar fechou os olhos e pois-se a cantar como um louvor de despedida a vida. O gato estagnado não teve coragem de interromper doce melodia e com pena do passaro foi embora atrás de outro alimento. O vento trouxe novos dias e o passarinho azul foi retomando os seus movimentos, até por fim se recuperar e de volta a ativa refazer seu ninho e voltar a voar. 
Tocado pelas benções que recebeu, foi atrás do gato e passou a cantar na janela para o amigo agradar, toda noite ao luar."

A vida é uma troca, quem tem fé vai mais longe do que pensa, devemos ser gratos a quem disperta nossas crenças adormecidas e nunca esquecer que no céu ou no chão o que vale é o que carregamos no coração. O tempo é mágico e todo milagre encandea uma lição. 


3 comentários:

  1. Adorei!!! Fe e Esperanca sao porcao magicas para uma vida espiritual rica.
    TE AMO!

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  2. Ja dizia o velho ditado: "A fe move montanhas"
    Adorei o seu espaco.... darei um pulinho aki sempre q puder!
    Mil beijos

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  3. O pequeno periquito inclinou a cabeça para o lado, naquele jeito tão particular que as aves têm, quando querem focar toda a atenção num único local.
    - O que estás tu a ver, com tanta atenção? – quis saber o amigo esverdeado.
    - Estou a olhar para a porta... – respondeu o periquito azul. Já reparaste nela?
    O periquito esverdeado olhou na direcção indicada, mas não encontrou nada que lhe retivesse a atenção.
    - ... Não vejo nada de especial... aliás, só mesmo tu é que andas sempre a ver se descobres coisas novas... não sei como nunca te cansas...
    O periquito azul inclinou ainda mais o pescoço.
    - Sou curioso, é só... – justificou-se – e também não percebo porque motivo tu és tão desinteressado... nunca tens perguntas? Nunca ficas curioso?
    O periquito esverdeado esboçou um movimento com o bico, vagamente semelhante a um sorriso.
    - Eu? Curioso? Para quê?... Por acaso algum dia me faltou o almoço ou o jantar? Nunca. Alguma vez fiquei sem as minhas deliciosas folhas de alface? Nunca. Porque haveria de ficar curioso?
    - Podias querer saber o que existe lá fora...
    O periquito esverdeado agitou-se, incomodado com a observação.
    - Lá fora ? ... Isso do “ Lá fora “ não existe... só tu mesmo é que passas os dias a falar desse “ Lá fora “...
    - Claro que existe... só não tenho é provas...
    - Claro que não tens provas. Isso do “ Lá fora “ é conversa fiada... Lá fora, é onde vivem os humanos e ponto final. Eles vivem lá fora... e nós vivemos cá dentro.
    E, com a asa esverdeada, fez um gesto teatral, apontando para a grade branca da gaiola.
    - Mas eu ... eu tenho que experimentar... – murmurou o periquito azulado – eu quero saber, eu preciso mesmo de saber..
    O periquito esverdeado abanou a cabeça, em tom reprovador.
    - Não sejas tonto... aqui tens tudo o que precisas... comida da melhor qualidade.... uma casota de madeira onde te abrigas do frio e da chuva... uma gaiola limpa todos os dias... e um dia destes, até nos trazem umas moças bonitas, para nos alegrar os dias... que mais queres tu ? Nem te pedem nada em troca...
    - Claro que pedem.
    - Ora... isso nem é pedir... só querem que cantes assim de vez em quando, para os deixares felizes... e que consigas ser pai de muitas crias... muitas e muitas... isso é só o que eles querem... não me parece demasiado...
    O periquito azulado não estava convencido.
    - Mas sinto-me preso, aqui...
    Ao mesmo tempo que dizia isto, abriu as asas e voou até junto da porta entreaberta da gaiola.
    - O que vais tu fazer ? Não sejas louco... – gritou-lhe o periquito esverdeado.
    O periquito azulado não lhe prestou atenção. Com um gesto fácil do bico, empurrou a grade branca para cima e passou o corpo esguio para o lado exterior da gaiola.
    Do lado de fora, contemplou o colega de cativeiro, que tremia sobre poleiro de madeira.
    - Volta,... por favor, volta... vou ficar aqui sózinho... – lamentava-se ele.
    - Não posso... preciso de descobrir... o que existe aqui.
    - Mas esse mundo é perigoso... de certeza que é muito perigoso...
    O periquito azulado ensaiou um pequeno voo em redor da gaiola.
    Por um breve instante, o sabor inebriante da liberdade atravessou-lhe as penas coloridas, como um arrepio de frio intenso.
    Mas era um frio especial, um frio saboroso, uma lufada de ar mais fresco, mais... nem encontrava palavras para expressar o que estava a sentir naquele preciso momento.
    - Se tu pudesses sentir o que eu estou agora a sentir... perceberias – gritou ele, continuando a voar em redor da gaiola.
    O periquito esverdeado não percebia.
    - Volta, por favor... – gritou de novo
    O periquito azulado já não o ouvia. Com um leve bater de asas, ganhou altura, ultrapassou a janela aberta e desapareceu por entre a vegetação do jardim, chilreando freneticamente.
    O relógio tocara a sua hora da liberdade...

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É muito bom compartilhar idéias e pensamentos com vocês.

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